Frutífero

Um blog... mas pra quê, afinal, eu quero um blog? Criei-o através da indução de um estimado colega. Ele (o blog) tinha outro nome, outra cor, outra descrição. Resolvi mudar. E aqui está o FRUTÍFERO, que como o próprio nome diz, espero, trará bons frutos de comunicação.

16 setembro 2012

A (minha) liberdade de expressão

Até certo tempo atrás, o melhor lugar para se observar o comportamento humano eram as praças, os shoppings, as festas, a rua. Hoje, como quase tudo, o melhor lugar para essa observação, acredito eu, sejam as badaladas redes sociais. O Facebook é a verdadeira “feira livre” do mundo virtual.
Em tempos de internet, onde todo mundo tem voz e vez, a tão sonhada (e utópica) liberdade de expressão é vivida com intensidade, nas palavras, nos compartilhamentos e nas curtidas de cada um, até que um dia...
Até que um dia, ao publicar algo, seja texto, foto, vídeo e o escambau o ser se depara com a contrariedade da opinião de alguém. E começa a polêmica. E vêm os bloqueios. Aí é que começa a melhor parte: analisar o indivíduo. As pessoas querem o direito de liberdade de expressão. O SEU direito. Não o do outro.

- O outro que se dane, se ele não concorda ele deve ser banido e ponto final - pensam.

A verdade é que a essência do ser humano é egoísta. E que ele não está pronto para ser contrariado. Nunca. Nem na vida real, nem na virtual, até porque já não é mais possível estabelecer um limite entre as duas. 

Por isso um conselho de amiga pra galera “curtir”. E compartilhar. Ou discordar se preferir: se você diz o que quer pra todos da sua “rede” esteja consciente que isso poderá gerar uma reação, positiva e negativa. Se você aborda um assunto, compartilha, defende uma causa, muitas pessoas concordarão, mas alguém poderá discordar, e o seu direito de se expressar dá condição ao direito do outro. Se você se acha no direito de comentar alguma coisa contrária a uma opinião dada, outros também poderão discordar de você. É a vida como se apresenta, a vida real. Porque o virtual também é realidade.

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12 setembro 2012

Tempos depois...

Numa busca pelo Google, daquelas que a gente digita nosso nome pra ver o que aparece, vejam só o que encontrei... um antigo blog, criado pouco tempo depois de me formar em Jornalismo, inspirado num amigo muito querido que o tempo deixou para trás.

Nunca consegui manter um blog... comecei vários e tempos depois de criá-los eu os deixava ociosos até que deletava tudo. Mas este ficou. Caiu num profundo esquecimento de minha parte, mas perdurou em meio aos arquivos mortos da internet.

Quem sabe não é o momento de ressucitá-lo?
Gostei dos textos que encontrei aqui, nem parecem meus. Estou mesmo precisando exercitar a escrita, como diria minha amiga Clarissa, "Para não desaprender"...

19 maio 2006

Amor

Encontrei esse texto nas minhas "andanças" pelo Orkut. Muito bonito!

Por mais que o poder e o dinheiro tenham conquistado uma ótima posição no ranking das virtudes, o amor ainda lidera com folga. Tudo o que todos querem é amar. Encontrar alguém que faça bater forte o coração e justifique loucuras. Que nos faça entrar em transe, cair de quatro, babar na gravata. Que nos faça revirar os olhos, rir à toa, cantarolar dentro de um ônibus lotado.

Tem algum médico aí?? Depois que acaba esta paixão retumbante, sobra o que? O amor. Mas não o amor mistificado, que muitos julgam ter o poder de fazer levitar. O que sobra é o amor que todos conhecemos, o sentimento que temos por mãe, pai, irmão, filho. É tudo o mesmo amor, só que entre amantes existe sexo. Não existem vários tipos de amor, assim como não existem três tipos de saudades, quatro de ódio, seis espécies de inveja.

O amor é único, como qualquer sentimento, seja ele destinado a familiares, ao cônjuge ou a Deus. A diferença é que, como entre marido e mulher não há laços de sangue, a sedução tem que ser ininterrupta.

Por não haver nenhuma garantia de durabilidade, qualquer alteração no tom de voz nos fragiliza, e de cobrança em cobrança acabamos por sepultar uma relação que poderia ser eterna.

Casaram. Te amo prá lá, te amo prá cá. Lindo, mas insustentável. O sucesso de um casamento exige mais do que declarações românticas. Entre duas pessoas que resolvem dividir o mesmo teto, tem que haver muito mais do que amor, e às vezes nem necessita de um amor tão intenso. É preciso que haja, antes de mais nada, respeito. Agressões zero. Disposição para ouvir argumentos alheios. Alguma paciência. Amor, só, não basta. Não pode haver competição. Nem comparações.

Tem que ter jogo de cintura para acatar regras que não foram previamente combinadas. Tem que haver bom humor para enfrentar imprevistos, acessos de carência, infantilidades. Tem que saber levar. Amar, só, é pouco. Tem que haver inteligência. Um cérebro programado para enfrentar tensões pré-menstruais, rejeições, demissões inesperadas, contas pra pagar.

Tem que ter disciplina para educar filhos, dar exemplo, não gritar. Tem que ter um bom psiquiatra. Não adianta, apenas, amar. Entre casais que se unem visando a longevidade do matrimônio tem que haver um pouco de silêncio, amigos de infância, vida própria, um tempo pra cada um. Tem que haver confiança. Uma certa camaradagem, às vezes fingir que não viu, fazer de conta que não escutou. É preciso entender que união não significa, necessariamente, fusão. E que amar, "solamente", não basta. Entre homens e mulheres que acham que o amor é só poesia, tem que haver discernimento, pé no chão, racionalidade. Tem que saber que o amor pode ser bom, pode durar para sempre, mas que sozinho não dá conta do recado. O amor é grande mas não é dois. É preciso convocar uma turma de sentimentos para amparar esse amor que carrega o ônus da onipotência. O amor até pode nos bastar, mas ele próprio não se basta.

Um bom Amor aos que já têm!
Um bom encontro aos que procuram!
E felicidades a todos!

12 maio 2006

Nota de Repúdio

Aos organizadores da Produsul 2006.


É com muito pesar que venho em nome da empresa jornalística SC Notícias, que tem como forma o portal de informações catarinenses
www.scnoticias.com.br, através desta nota demonstrar sua indignação diante da atitude negligente dos responsáveis pelo cadastramento da imprensa junto ao evento acima citado. Num ato de cerceamento da informação, a organização responsável pela imprensa barrou o web jornalismo, ou jornalismo on-line da participação na cobertura da feira-festa. Não só os profissionais de imprensa, mas toda a população, tem conhecimento de que o jornalismo na internet já é uma das mais utilizadas formas de acesso à notícia, muitas vezes ultrapassando os veículos tradicionais como rádio, tevê e jornal impresso.

Mesmo assim, não foram aceitos os veículos chamados de “portais”, ou seja, sites de notícia, sob a alegação de que “qualquer um” pode criar um site e dizer-se membro da imprensa. Ora, por vezes, esta não é uma afirmação inválida. Porém o que se espera é uma análise dos veículos de jornalismo virtual que demonstrem seriedade no trabalho desenvolvido e comprovem a prática legal do jornalismo.

Outra exigência é a de que os veículos de comunicação tivessem sido previamente “contratados” pela Produsul para divulgar antecipadamente o evento. Palavras estas ditas pelo responsável pelo cadastramento, Sr. Ramires Sartor Linhares. Esta atitude demonstra ainda o amadorismo da comissão organizadora que cuida deste setor, pela falta de ética e de conhecimento do objetivo jornalístico, e da importância do mesmo, tanto para os empresários envolvidos quanto para a população.

Sem mais delongas, fica aqui expressa a inconformidade com o fato ocorrido.

Sexta-feira, 12 de maio de 2006.


Kélen Oliveira.

20 abril 2006

Nova velha discussão

Venho hoje tratar de um assunto no qual acha que já tinha opinião formada. A questão da pirataria. Sempre fui sufucientemente "fresca" pra dizer que jamais compraria CDs piratas, mas a essa altura do campeonato já me obriguei e mudar o discurso (e a prática). Um texto na revista Caros Amigos deste mês trouxe mais uma vez esta discussão, e aí enxerguei com mais clareza o problema.

Segue abaixo o texto de Marilene Felinto.

CÓPIA DE LIVRO E PIRATARIA – TUDO DIREITO

Uma mobilização de estudantes universitários pela liberação do uso de xerox de livros em universidades públicas e privadas, lançada em fevereiro último, foi a única iniciativa digna de nota contra uma aberração chamada Associação Brasileira de Direitos Reprográficas
(ABDR),representante das editoras, que desde 2004 aciona a polícia para dar batidas em bibliotecas e centros acadêmicos universitários. O objetivo é intimidar as instituições, apreender cópias e punir quem estiver tirando ou tenha tirado cópias de mais de duas páginas de um livro!
Ora, gerações e gerações de profissionais se formaram nas últimas cinco décadas (ao menos) copiando livros, literários e acadêmicos, Brasil afora. Não fosse
isso, muita gente estaria até hoje sem diploma. Como é que surge, então, do nada, de uma hora para outra, uma entidade que transforma sua própria interpretação da lei (de direito autoral) em lei e passa a dar ordens, e passa a derrubar um direito que antes existia (o de tirar cópias de livros)?
A mobilização dos universitários, tímida e tardia - ainda que um balbucio na alienação bocejante em que vive mergulhada essa juventude brasileira de hoje,
que nunca lembra, por exemplo,a aparente veemência revolucionária dos jovens franceses que saem às ruas para protestar -, talvez não surta efeito contra tamanha arrogância da ABDR.
Está claro que essa instituição sai a campo não para defender o "direito autora!", como alega. Ela defende hipocritamente o direito editorial, este sim - ela atende aos interesses financeiros dos editores, eles que estão interessados apenas em enriquecer à custa da mercadoria que os autores produzem lá na origem frágil desta cadeia de desigualdades (autor-editor-livreiro). Eles não têm nenhum interesse na difusão do conhecimento ou na idéia de que o livro no Brasil deixe de ser privilégio de uma elite, objeto de luxo, tão abusivo é seu preço.
O manifesto dos universitários lançado em fevereiro chamou-se "Copiar Livro é Direito!"- direito, argumentavam eles, concedido pela lei,pela Constituição e pelos tratados internacionais dos quais o Brasil é parte, neles inclusa a cartilha de direitos fundamentais da
ONU,que, da mesma forma que a Constituição brasileira, prevê o acesso de todos os cidadãos à cultura, à informação e ao conhecimento, independentemente de consulta prévia a titulares de direito (sobretudo associações de editores de livros). “Por isso mesmo a lei de direitos autorais, seguindo a norma internacional adotada por todos os países membros da Organização Mundial do Comércio, expressamente possibilita a cópia livre de pequenos trechos, com vistas ao uso privado e pessoal do solicitante, sem intuito de lucro”, justifica o manifesto.
Os estudantes propuseram às universidades que, com base em sua autonomia universitária, regulamentassem as cópias dentro das instituições. Algumas universidades públicas, como a Universidade de São Paulo, fizeram isso, em termos. A maioria das privadas, por sua vez, como pertence ao mesmo grupo econômico que os editores, não se juntou aos alunos.
O manifesto dos universitários pedia uma reforma da lei de direitos autorais. Nada mais justo. Já passou da hora de acabar com essa hipocrisia. Ao autor mesmo (excetuando os best-sellers comeciais, sem nenhuma densidade) cabem migalhas dessa obscura conta de direitos autorais. O resto são os lucros que vão para a tal ABDR.
É preciso acabar com tanta hipocrisia - afinal, vivemos a era da fragmentação absoluta de tudo, da "destrutibilidade técnica" (para copiar Walter Benjamin) de certos processos já rompidos. Está claro que a cópia de partes de um livro implica a destruição simbólica da obra: ela que perdeu sua aura e sua tradição muito antes disso - na época de sua "reprodutibilidade técnica", como já apontava Benjamin sobre a obra de arte, no início do século passado. Embora reconhecesse que, por princípio, a obra de arte sempre foi reproduzível (porque "discípulos copiavam, visando exercício, falsários, almejando ganho material. mestres, buscando a difusão" da mesma), Benjamin afirmava que "a aura da obra de arte é o fragmento mais atacado com a reprodutibilidade. A multiplicação dos exemplares implica substituir por um fenômeno de massa um evento que não se produziu senão uma vez. Esses dois processos conduzem a um considerável abalo da realidade transmitida: ao abalo da tradição".
Obra de arte ou mercadoria acadêmica, se pensarmos mais drasticamente a situação do livro no Brasil de hoje, como pensa o crítico Fábio Lucas. Diremos mesmo que, "na sociedade do espetáculo, aquecida pelos meios de comunicação de massa, o livro deixou de ser fonte do saber: reduziu-se à ligeireza de uma notícia. No máximo poderá desfrutar do brilho de um momento, com a velocidade de uma estrela cadente”.
O abalo sofrido hoje pela obra (artística ou intelectual) é de outra natureza. A massa não se interessa pela obra original como fetiche, como objeto de culto ou instrumento mágico. Pouco importa à massa se a cópia do pirata do CD não tem a capa original. A música toca com a mesma autenticidade, e muito mais barata. É a sociedade de consumo cavando na marra o direito de acesso que é caro. O discurso asséptico embutido nas ações de combate à pirataria no país – o de que a produção pirata teria vinculação com o crime organizado e que extinguiria empregos – é hipócrita e esconde coisa pior. Esconde que a propaganda de massa é que é a grande incentivadora da pirataria. A indústria cultural da massificação propagandística da arte - dos países capitalistas está chafurdando em seu próprio excesso: a pirataria de CDs, softwares, roupas e outros produtos industrializados (e de grife) em geral é o vômito da indústria cultural e de sua propaganda feroz.
O consumidor da cópia de livros como ferramenta educacional e de acesso ao conhecimento, entre uma população que não tem poder aquisitivo para comprar livros; e o consumidor da camisa ou do par de tênis piratas são personagens do mesmo processo de mudança nas condições de produção e distribuição da mercadoria. A era da eletrônica vem democratizando ironicamente o poder de ação que se tem hoje sobre esses processos (como não tinham os homens de antigamente).
Atenção para o fato de serem os jovens os maiores consumidores de produtos pirateados no Brasil hoje. Isso é sintomático de quê? De algum ideal socialista ou da voracidade para consumir (venha como vier a mercadoria a ser consumida)? Se formos bons (e eu não sou), diremos que é sintoma de uma desobediência saudável. de uma janela entreaberta no alheamento, de uma revolta (ainda que inconsciente) contra a preservação
do monopólio do capital (privilégio de apenas uns poucos), contra a concentração de bens, de renda, de saberes e de prazeres.

Marilene Felinto é escritora e jornalista.
marilenefelinto@carosamigos.com.br

13 abril 2006

A "Lei Zeca Pagodinho"

Bem pessoal, a inspiração tá demorando a chegar...
Mas para não deixar meus fiéis leitores sem novidade, encontrei este texto, e resolvi publicá-lo (sem autorização!!!), pois o assunto é sempre pertinente.

A LEI ZECA PAGODINHO
retirado do site
www.abcnoticias.com.br

Diz uma história que numa cidade apareceu um circo, e que entre seus artistas havia um palhaço com o poder de divertir, sem medida, todas as pessoas da platéia e o riso era tão bom, tão profundo e natural que se tornou terapêutico. Todos os que padeciam de tristezas agudas ou crônicas eram indicados pelo médico do lugar para que assistissem ao tal artista que possuía o dom de eliminar angústias. Um dia porém um morador desconhecido, tomado de profunda depressão, procurou o doutor.O médico então, sem relutar, indicou o circo como o lugar de cura de todos os males daquela natureza, de abrandamento de todas as dores da alma, de iluminação de todos os cantos escuros do nosso jeito perdido de ser. O homem nada disse, levantou-se, caminhou em direção à porta e quando já estava saindo, virou-se, olhou o médico nos olhos e sentenciou: "Não posso procurar o circo... aí está o meu problema: eu sou o palhaço". Como professor vejo que, às vezes, sou esse palhaço, alguém que trabalhou para construir os outros e não vê resultado muito claro daquilo que faz. Tenho a impressão que ensino no vazio (e sei que não estou só nesse sentimento) porque depois de formados meus ex-alunos parecem que se acostumam rapidamente com aquele mundo de iniqüidades que combatíamos juntos. Parece que quando meus meninos (as) caem no mercado de trabalho a única coisa que importa é quanto cada um vai lucrar, não importando quem vai pagar essa conta e nem se alguém vai ser lesado nesse processo. Aprenderam rindo, mas não querem passar o riso à frente e nem se comovem com o choro alheio. Digo isso, até em tom de desabafo, porque vejo que cada dia mais meus alunos se gabam de desonestidades.
Os que passam os outros para trás são heróis e os que protestam são otários, idiotas ou excluídos, é uma total inversão dos valores. Vejo que alguns professores partilham das mesmas idéias e as defendem em sala de aula e na sala de professores e se vangloriam disso.
Essa idéia vem me assustando cada vez mais, desde que repreendi, numa conversa com alunos, o comportamento do cantor Zeca Pagodinho, no episódio da guerra das cervejas e quase todos disseram que o cantor estava certo, tontos foram os que confiaram nele. "O importante professor é que o cara embolsou milhões", disse-me um; outro: "daqui a pouco ninguém lembra mais, no Brasil é assim, e ele vai continuar sendo o Zeca, só que um pouco mais rico", todos se entreolharam e riram, só eu, bobo que sou, fiquei sem graça.
O pior é quando a gente se dá conta que no Brasil é assim mesmo, o que vale é a lei de Gérson: "o importante é levar vantagem em tudo". (Lei de Gerson...dá para rir...). A pergunta é: É possível, pela lógica, que todo mundo ganhe ? Para alguém ganhar é óbvio que alguém tem de perder.A lógica é guardar o troco a mais recebido no caixa do supermercado; é enrolar a aula fingindo que a matéria está sendo dada; é fingir que a apostila está aberta na matéria dada, mas usá-la como apoio enquanto se joga forca, batalha naval ou jogo da velha; é cortar a fila do cinema ou da entrada do show; é dizer que leu o livro, quando ficou só no resumo ou na conversa com quem leu; é marcar só o gabarito na prova em branco, copiado do vizinho, alegando que fez as contas de cabeça; é comprar na feira uma dúzia de quinze laranjas; é bater num carro parado e sair rápido antes que alguém perceba; é brigar para baixar o preço mínimo das refeições nos restaurantes universitários, para sobrar mais dinheiro para a cerveja da tarde; é arrancar as páginas ou escrever nos livros das bibliotecas públicas; é arrancar placas de trânsito e colocá-las de enfeite no quarto; é trocar o voto por empregos, pares de sapato ou cestas básicas; é fraudar propaganda política mostrando realizações que nunca foram feitas. É a lógica da perpetuação da burrice. Quando um país perde, todo mundo perde. E não adianta pensar que logo bateremos no fundo do poço, porque o poço não tem fundo. Parafraseando Schopenhauer: "Não há nada tão desgraçado na vida da gente que ainda não possa ficar pior". Se os desonestos brasileiros voassem, nós nunca veríamos o sol. Felizmente há os descontentes, os lutadores, os sonhadores, os que querem manter o sol aceso, brilhando e no alto. A luz é e sempre foi a metáfora da inteligência. No entanto, de nada adianta o conhecimento sem o caráter. Que nas escolas seja tão importante ensinar Literatura, Matemática ou História quanto decência, senso de coletividade, coleguismo e respeito por si e pelos outros.Acho que o mundo (e, sobretudo, o Brasil) precisa mais de gente honesta do que de literatos, historiadores ou matemáticos. Ou o Brasil encontra e defende esses valores e abomina Zecas, Gérsons, Dudas e todos os marketeiros que chamam desonestidades flagrantes, de espertezas técnicas, ou o Brasil passa de país do futuro para país do só furo. De um Presidente da República espera-se mais do que choro e condecoração a garis honestos, espera-se honestidade em forma de trabalho e transparência. De professores, espera-se mais que discurso de bons modos, espera-se que mereçam o salário que ganham (pouco ou muito) agindo como quem é honesto. A honestidade não precisa de propaganda, nem de homenagens, precisa de exemplos. Quem plantar joio, jamais colherá trigo. Quando reflexões assim são feitas cada um de nós se sente o palhaço perdido no palco das ilusões. A gente se sente vendendo o que não pode viver, não porque não mereça, mas porque não há ambiente para isso. Quando seria de se esperar uma vaia coletiva pelo tombo, pelo golpe dado na decência, na coerência, na credibilidade, no senso de respeito, vemos a população em coro delirante gritando "bis" e, como todos sabemos, um bis não se despreza. Então, uma pirueta, duas piruetas, bravo! bravo ! E vamos todos rindo e afinando o coro do: "Se eu livrar a minha cara o resto que se dane". Enquanto isso o Brasil de irmã Dulce, de Manuel Bandeira, do Betinho, de Clarice Lispector, de Chiquinha Gonzaga e de muitos outros heróis anônimos que diminuíram a dor desse País com a sua obra, levanta-se, caminha em silêncio até a porta, vira-se e diz: "Esse é o problema, eu sou o palhaço!"
(Nailor Marques Junior é professor universitário e autor de diversos livros na área de educação)

07 abril 2006

Luta de classe (s).

Hoje é um dia especial para mim, e também para os dezenove colegas que tornaram-se jornalistas há algumas semanas. Hoje é o nosso primeiro Dia Nacional do Jornalista, como profissionais já habilitados.
Porém uma coisa me chateia, entristece e faz perder a vontade de comemorar. É saber que muitos “jornalistas” sem o mínimo preparo estão enchendo a boca e estufando o peito para dizer que hoje é o dia deles. Não quero me aprofundar nesta discussão, pois ela me angustia demais. Devo admitir que um certificado ou diploma não faz de ninguém um profissional melhor. Há muitos e muitos bacharéis com péssima conduta profissional e talento zero. Porém sabemos que o esforço e investimento que fizemos durante quatro anos ou mais não pode ser anulado com a permissão da atuação daqueles que pensam que “dom” basta.
Dia desses entrei no site Comunique-se para ler uma matéria a respeito da anulação de registros precários. Eu sabia que não devia ter fuçado nisso. Mas minha teimosia é mais forte que minha sensatez! Entrei. Li. Comentei. E diante de coisas absurdas e repugnantes que fui obrigada a ler, acabei soltando o verbo, literalmente. Vou compartilhar aqui minha indignação, que resultou num textinho um tanto desaforado:
Kélen Cardozo de Oliveira [01/04/2006 - 18:26] “Esta discussão me dá náuseas! A liberdade de expressão é feita através da participação leitor/espectador por meio da interatividade dos meios de comunicação. Mas profissional de verdade deve sim ser diplomado. É claro que bons e maus profissionais sempre haverão de existir, mas daqueles que passaram quatro anos e investiram alto numa formação é possível cobrar uma postura mais digna. E dos outros? Nem quem saibam ao menos escrever corretamente... Ou então eu tenho um dom divino para defender as pessoas e vou ser advogada! Sem fazer faculdade de direito e muito menos exame da OAB, claro! Porque eu nasci pra isso! Ora bolas! Calem a boca seus falsos intelectuais! E a Folha que se dane! Bom profissional não precisa de trainee coisa nenhuma! Esse negócio de adestrar focas já era! Fica na sua Fábio sei lá o quê!!!”
Bem, após este desabafo um tanto quanto antipático, admito, esse tal Fábio José de Mello, em resposta, me chamou de anti-democrática. E a ele respondi: “Só tenho a dar os PARABÉNS ao professor Bruno Barros Barreira. Sua aula de história foi magnífica! Mas infelizmente falar em Teorias do Jornalismo só serve para quem estudou, e não deve servir ao Sr. Fábio, que aliás me avaliou como anti-democrática. Se dar voz à ignorância é ser anti-democrática, eu sou mesmo! Só temo as decisões da justiça porque ela própria é contraditória e confusa. Não confio nela! Mas se os estudiosos da lei tiverem bom senso, votarão sempre a nosso favor.” Após isso ele me chamou de chucra, ignorante, entre outros adjetivos... e disse que eu estava começando mal na profissão. Mas isso não me abala, tenho consciência da minha capacidade intelectual, e sou uma pessoa extremamente educada, com quem merece!
Meus leitores devem estar pensando onde quero chegar com isso. Para quem não sabe, aquele 3x0 não foi a última palavra na questão da obrigatoriedade do diploma. Ainda cabem recursos, até que se chegue ao Supremo Tribunal Federal (STF). A última palavra é deles, e isso me preocupa. Mas não vou me aprofundar nessas questões jurídicas. Pesquisem se lhes interessar (e eu espero que interesse).
O que ocorre é uma luta de classes dentro de uma mesma classe, a dos Jornalistas. Porém, a nós bacharéis cabe a obrigação (isso mesmo, obrigação!) de unir nossa força e indignação para que este investimento (financeiro e intelectual) não vá pelo ralo. Estou ansiosa para me sindicalizar. Se precisar vou a Brasília protestar! Não vou deixar que desdenhem meu esforço para ser profissional. Pois só a nós, bacharéis em Comunicação Social cabe encher a boca e estufar o peito para dizer: EU SOU JORNALISTA PROFISSIONAL!

Até!

06 abril 2006

Luz, câmera, comunicAÇÃO!

Hoje à tarde fiquei de campana na Praça República Juliana, em frente ao Museu Anita Garibaldi. Fitas de isolamento de área circundavam toda a praça. Lá ocorriam as gravações de "Amor&Storia", um longa metragem que fala da história de amor e luta de Giuseppe e Anita Garibaldi. Muitas pessoas compõem a equipe de produção. Alguns caminhões com equipamentos, cenário, vestimentas, etc. Enfim, uma parafernália sem tamanho. Ficamos, eu e meu fiel escudeiro (e noivo!) durante algumas horas prestando atenção em toda a movimentação e admirando tal trabalho. E põe trabalho nisso! Falávamos baixinho, pois um dos produtores pedia a todo momento para que as pessoas ao redor, inclusive membros da equipe, fizessem o mínimo barulho. E nós, claro, respeitamos. Muito interessante tudo aquilo. Saímos dali com algumas informações dadas pelo tal produtor que pedia silêncio. Rapaz muito atencioso. Percebi que o trabalho do jornalismo, muitas vezes, não requer um infinito questionário, mas apenas observação, atenção. Até porque só assim se percebem detalhes e se descobre como são feitas as coisas. E o mais interessante: a comunicação constante. Cada um possuia um telefone celular, um radiocomunicador (parecido com um walk talk) e um fone/microfone onde falavam baixinho o tempo todo.
Assim percebi a minha importância enquanto jornalista. Já que nem todos podem ter tantos aparelhos de comunição, cabe a mim e aos demais colegas cumprir o papel de celular, rádio, bip... Na vida somos uma equipe que produz um filme, uma história. Precisamos nos comunicar! E bem!

03 abril 2006

Apresentação

Já que esse lance de internet não tem hora...Bom dia! Boa tarde! Boa noite!
Sou uma pessoa totalmente inserida no mundo tecnológico, mas confesso que relutei a criar um blog, afinal são tantas coisas pra administrar... orkut, msn, fotolog, e-mails! Percebo claramente que minha memória e visão estão sendo afetadas.
Mas como queria muito postar um comentário no blog do meu caríssimo amigo Rafael Mazzucco (http://jornalismogonzo.blogspot.com) e ele exigia que o indivíduo que fizesse o comentário possuisse um desses diários eletrônicos, me obriguei a fazê-lo.
Não prometo grandes divagações, textos intelectuais, nem piada de português (ou americano). Serei movida pelo desejo da escrita e pela indignação perante a realidade.
Um abraço!